Pureza sufocante.

"Todos os dias, quando acordo, não tenho mais o tempo que passou, mas tenho muito tempo. Temos todo o tempo do mundo.

Todos os dias, antes de dormir, lembro e esqueço como foi o dia. Sempre em frente, não temos tempo a perder. (…)"

Sabe, mesmo que não me ame como te amo, não me arrependo sequer de uma palavra lhe dita. Não menti. Mas amar não é ser feliz, e sim fazer ao outro feliz. Talvez seja este o motivo de tal timidez em meu sentimento. Quero sorrisos, lágrimas só de emoção. Sua lágrima de rancor seja meu veneno, e sua tristeza, minha sentença irrevogável. E que eu beba do cálice a mim dignado.

Quem sabe o mau gosto fluindo em minha garganta seja a pureza da água quando esperava beber vinho, e minhas lágrimas gotas de chuva ainda a secar.

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Uma semana.

Primeiro dia.

Só tenho de confessar que tua presença me agrada. Não é à toa que passei várias horas ao teu lado. Foi uma sexta-feira perfeita. Amo estar contigo; amo porque te amo. Sacas?

Segundo dia.

Pensei no seu rosto, sonhei seu sorriso, enquanto mirava o entardecer, o crepúsculo, anoitecer. E quem diz que algo roubava-lhe minha atenção? Ela era toda sua, tal e qual o é novamente neste breve instante.

Seria feliz em sonhar contigo, linda menina…

                         Durma com os anjos.


Terceiro dia.

Comecei meu dia pensando em você. Não me lembrava do que passara em minha mente durante o sono, e ainda assim sentia que foi algo agradável. Afinal, me lembrei: em meu sonho, por vários instantes, segurava suas mãos. Talvez só como amigos. Isso não impede do toque de tuas mãos me haver trazido alegria e segurança.

Quarto dia.

Dia frio, frio pacas. Lembro-me novamente da fria noite de sexta, seus dentes em movimento incessante, em barulhentos choques. Confesso ter sentido muito frio também, magro que sou.

Mas, pra estar do teu lado, sentiria novamente o mesmo frio. Do teu lado, o frio é agradável.

       (Será que você também pensa em mim???)

   Boa semana!


Quinto dia.

É surpreendente como não canso de olhar para essa tua foto. Parece existir algum poder hipnotizante. Só parece. Sou eu mesmo que fico mirando pasmo para seu rosto lindo: seu olhar pelo canto esquerdo, direto, sem sequer acanhamento; cabelos dourados de sol, como raios a iluminar. O vermelho não é sangue: é vívido, como seu sorriso cerrado, cercado por sedosas maçãs róseas tímidas.

       Sinto-me ofuscado…

Sexto dia.

Rosa de Saron dirige minha mente a seus olhos. Sinto-me pequenino quando penso em você; mas eu gosto de pensar em você, não me canso do teu sorriso.

Sinto-me idiota com essas palavras, não quero que as veja.

Desculpa-me de ser tão insistente, grande amiga que amo não só como amiga.


Sétimo dia.

Já se perde no tempo essa semana, mas talvez não sua completude. A razão desta semana continua viva, e linda como sempre.

Amo-te? Sim.

A estrela.

Mais um momento de breve confusão. Como pode alguém de quem muito pouco se conhece roubar de tal modo meus pensamentos e atenções? Não compreendo, está além de quaisquer de meus raciocínios, sejam eles a mais bela teoria ou mais um simples capricho.

É fato eu ter assumido para mim mesmo o significado de tal evento como deveria ser. E agora, vejo-me confuso ao que devo fazer. Mais do que tudo, identifico isso como amor. Um amor que não sei descrever ou definir. Também o infinito é algo imperfeitamente definível: como pode algo ser maior que si próprio, não importa o quão grande seja? Tudo é perfeito, antes de se encontrar um defeito. Antes de encontrar um defeito, considero meu amor perfeito. E você faz parte desta perfeição, “la chiave d’oro”.

Ressinto ser repetitivo, dizer tudo quanto já sabe e ouviu milhares de outras vezes.  Desculpa-me se, ainda assim, o fizer. Meus momentos ao teu lado ainda não existem. Foram somente instantes, alguns instantes de único momento, pequenas manchas de tinta nessa tela de aquarela. Pequenas manchas como que detalhes; manchas vermelhas são
maçãs numa árvore, ou mesmo no chão. Manchas azuis, tais quais estrelas ornando incontavelmente o céu indefinidamente infinito. E como seria a árvore sem maçãs, o céu sem estrelas, minha vida sem aqueles instantes?

Minha vida seria normal, simplesmente normal. Seguiria sem a alegria especial que sua companhia trouxe. E alegria não é um sorriso. O sorriso pode ser falso, mas a alegria é impossível de ser escondida; está estampada na face de quem a tem. É um brilho nos olhos, um “quero de novo”, um “nem sei o que falar”… Talvez, até aquele sorriso escondido, quase tímido, impossível de ser guardado consigo.

(Parece que minha confusão não é tão breve quanto pensava. Ainda não sei exatamente o que quero dizer, assim como nunca o soube. Quem sabe, esteja só descrevendo uma imensa alegria que senti por alguns instantes… Quiçá não seja este o fim destas palavras. A única certeza é minha vontade do fim destas palavras tornarem-se o começo, seja lá do que for) Desculpa-me, não sei se esperava isto ouvir, mas me sinto apaixonado por você… (Nesse instante, vejo toda e qualquer de minhas palavras escapando de meus pensamentos… Não  tenho mais idéia sequer…)

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É uma estrela, pequena para humanos olhos comuns. Quem diria tal distância estão as estrelas de nós, de modo a não notarmos sua grandeza real. Ainda, os cegos olhos do céu azul e das estrelas brancas: o céu não é azul, e as estrelas não são brancas. É preciso olhar com a alma. Estrelas de verdade têm brilho próprio, e mudam de cor: são vermelhas, azuis, amarelas. E são grandes, muito maior que a expressão destas palavras me permitem propagar.

Você é uma estrela. Ao olhar de longe, quase não se lhe percebe. Mas a cada passo aproximado, um brilho ofuscante, uma luz estonteante toma conta do ambiente. Como estrela, só brilha para quem a vê, para quem a olha com a alma… Sei que você sabe, gosto  das estrelas. Não se sei você sabe, gosto de você.

Sons do silêncio.

Já nos conhecíamos, mas o modo como te olhava se transformou, e de tal maneira a surpreender-me, quão rapidamente aconteceu… Você continua sendo a mesma pessoa de sempre, quem mudou fui eu, e talvez quisesse que você soubesse disto, mas ainda não sei de que modo contar-lhe. Conhece meus medos, eu sei, pois já os ouviu de minhas próprias palavras.

Você, menina, deixou minhas palavras tímidas, guardadas em mim. Sinto-me inferior diante de seu lindo sorriso; suas mãos, claras qual neve, suaves como seda fina, guardam o poder de controlar-me completamente.

“Vejo em seus olhos um sonho distante, uma estrela brilhante, uma luz incessante. Vejo a lua, o céu, vejo o sol.”

De verdade, usando de toda minha sinceridade, ainda não acredito no futuro do que agora sinto. Vejo-lhe como uma garota pronta a ter muito mais daquilo que posso ser. E, como amigo, luto para que tenha tanto quanto merece. Apesar de tudo, não consigo deixar de lado meus pensamentos desse instante, e se isso lhe incomoda, ou lhe faz sentir desconfortável, sinta meu mais sincero pedido de perdão, pois são coisas da minha vida fugidas de meu controle.

A ti, dedico agora parte de meu sorriso, calado, mas sincero. Dedico um olhar tímido, que pode não revelar nada, mas almeja dizer tudo; um olhar sentido e brilhante, qual de uma criança diante de seu brinquedo predileto, ou de um pai, mirando bobo o primeiro sorriso de seu filho.

Confesso-lhe meu ressentimento diante do que sinto… E, apesar de ter certeza de meu sentimento, tal qual nossa amizade, ressinto pelo eco de minhas palavras em seus pensamentos. Quem sabe ser ruído para você a minha música; quem sabe, leia terror em minha poesia, ou veja trevas em meu sol, ou beba veneno do mel que lhe dou…

Talvez o que sinto seja um solo de piano, ecoando em minha alma sem quaisquer explicações racionais; é algo ora feliz, ora triste, quem sabe por que… Ora um acorde maior, um sol, com todo seu brilho, um sonho sobre as nuvens branco-brilhante; ora, ainda, a tríade menor de dó, vindo devastadora, como mar turbulento, um pesadelo sob os carregados e raivosos chumaços gigantes de algodão, negros, a esconder o dia da mais inocente fantasia.

Entrego em tuas mãos a regência de minha tímida e muda orquestra, a pureza do som do silêncio; a minha música, o som de minha alma, o fim de minhas palavras, o início do meu sentimento.

As últimas notas, decrescendo, emudecendo, silenciando gradativo, um sinal de reserva. Mas a última nota, a última nota não me pertence…

Noite distante.

É estranho, mas às vezes tenho essa vontade de escrever o que penso, e é isto que faço agora…

Pensava em você, garota, sei lá eu por que. Sei somente que às vezes me incomoda. Talvez te ame, talvez não. Mas tem sido desagradável estar distante de você. Parece que esta distância me aproxima de ti, mas penso que estamos cada vez mais distantes, mesmo eu permanecendo no mesmo lugar.
Olho pro céu, te sinto ao meu lado; olho pro lado, me vejo só, sinto-me vazio.

Bem que você poderia estar aqui, ou ali em meio àquelas janelas iluminadas. E nos encontrávamos, só para sair e tomar um sorvete, ou só sair, e ficarmos nos mirando, e rirmos, por nada e para nada.

[Tem dias que queria não ter-te conhecido, e poder ausente destes pensamentos e filosofias, e sabe-se lá de que mais. Ter-te conhecido, somente, seria muito bom, e sermos amigos, bons amigos. Sei que somos amigos, mas temo por querer mais que só amizade. Perdoa-me, menina…]

A noite está linda. Parece que te vejo naquela estrela.