Dobradura.

É um grande erro tentar fazer algo de fim incerto. Dobramos a folha da vida, e ao final, abrimos o papel rasgado e amassado, sem qualquer beleza, pronto para ser arremessado ao lixo ou ao fogo, pois já não presta a mais nada, a não ser servir de lembrança a uma tentativa frustrada de servir sangue quando acreditava ter em mãos um copo do mais puro vinho.

Deveras não é mera hipérbole ver a vida como uma simples folha, pois também a folha tem direções de resistência e fragilidade. Em hábeis mãos, a folha pode tornar-se obra de arte com a mesma facilidade que um desastrado a leva a frangalhos.

Não sei decerto porque desisti deste papel, mas é certo que minha falta de habilidade com ela me desanima a continuar. Abri o papel sem qualquer certeza, mesmo amassado e rabiscado, mas quem sabe você exista, mesmo que eu ainda não saiba, e se existir, entrego-te, pois certamente fará mais que eu posso fazer com isto.

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