Até onde?

Até onde deixo minhas vontades por conta de ouvir alguém que amo?

Talvez seja um erro, uma vez que nunca farei tudo conforme agrada. Posso estar agindo de modo a não ter de mudar nada em mim, quase um conformismo, inconformado em não poder sentir a felicidade da qual sente falta. Um doce de canela, doce, mas sem canela.

Certamente, é um erro buscar unir água e vinho no mesmo jarro, vinho e vinagre no cálice em que se vai beber.

Não consigo sair daqui. Não quero ficar aqui. Não quero sair daqui. Quero tudo e não quero nada.

Até onde minha cabeça aguenta a pressão por ela mesma gerada?

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Idiota.

Exatamente o que sou. Um tremendo idiota. Incontido. Tagarela.

Um brincalhão que não sabe brincar, um que não sabe ter falado demais, nem fechar a boca enorme.

Antes fosse conservada a antiga seriedade. Talvez ela possa voltar, e se voltar, que seja para o bem. Para o bem de quem é obrigado a me suportar, chato como sempre sou, e não sei quando deixarei de o ser.

De todo modo, me perdoe pelas palavras. Sabe que não tenho permissão de dizer-lhe como disse. Olhe para mim e veja por si só o meu estado assustadoramente desconfortável a quem olha. Você, ao contrário, tem toda a perfeição que me falta, e todo o cuidado que não tenho; todo o detalhismo que faz de você uma obra perfeita.

Desculpe-me.