Vislumbre…

Se bem que não sei decerto o que quero. Sequer sei o que pensar. É tão mais fácil quando meus olhos não lhe alcançam. Mas eu não devo ser tão fraco. Hoje mesmo já havia conseguido.

Mesmo acreditando não ser o que você quer, mesmo vendo-me vulnerável, insisto em pensar e sonhar. E como é difícil abandonar apetecível sonho. Não apetecível somente pelo que vejo quando lhe olho, mas pelo que sinto quando penso em você, ainda que eu não saiba até onde isso tem sentido.

Cada vez que lhe miro, meu rosto me vem à memória, e tal desânimo me abala. Minha imagem não me agrada. Sei que não devia reclamar, mas também é errado me conformar. Pior ainda sonhar com mais que mereço.

Espero que a água em meus olhos seja pelo sono…

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Um instante de ar.

Quem sabe não seja tão difícil. Um pouco de incredulidade racional; não é pessimismo, mas a expressão da verdade. E nem sempre a verdade é a vontade.

Talvez eu ainda não tenha a minha idade. Muito menos maturidade. Quem diga sanidade, então. As vezes eu devia não acreditar no que vejo, nem ter impressões parciais; muito menos devia criar aparências destas expectativas.

E o sonho almeja tornar-se pesadelo, e a brisa, um tornado. Não preciso sequer de adversário para eu perder a batalha. Sou vencedor e perdedor. Na verdade, sou perdedor, pois aquele que me derrota é mais forte, mas o derrotado é quase todo meu eu…

Afinal, terei sim forças pra superar; mas o processo ainda é amargo, e, por quanto que seja, dói. Mas a culpa é minha, toda minha, por eu ser fraco. E, como fraco, perdedor de uma batalha não enfrentada.

Espero não estar de todo errado. Espero que um de nós esteja bem. Quero que você esteja bem, mesmo que não saiba que quero. Um dia também eu estarei bem, e neste dia não precisarei me preocupar com isto.

Por hora, dialogo com o papel, para que o peso não esteja inteiramente comigo.

Fim?

Realmente, vai ser bastante difícil esquecer este sonho. Sei que o erro é meu, o medo é meu, a timidez é minha, o monstro é meu. Mas ainda não achei solução para vencer meus bloqueios.

Meus passos ainda não sabem seguir para onde meus olhos se dirigem, onde minha mente insiste em permanecer, mesmo eu não sabendo onde está.

Sou um completo vacilante, e não sei controlar o mínimo dos meus pensamentos. Talvez eu esteja errando em tentar racionalizar o irracional, porém até minhas prioridades estão desordenadas. Eu estou desordenado. Tento ser perito naquilo que nunca estudei, tento conhecer tudo de um lugar aonde nunca fui. Sinédoque: ouvir suas músicas, conhecer seus lugares, Tenho-lhe implícita; não lhe tenho.

Nada mudou no mistério que você se me mostra. Vai ver que nada é como era; vai ver que nada muda. E o problema é meu: eu quem crio, alimento, amplifico, e só eu mesmo posso destruí-lo. Como?