Simples assim.

Era só mais um café, perdido em meio a um dia comum. Passando pela enorme porta azul de vidro, tive à minha frente a calçada, os dois jatos d’água molhando o círculo de vidro, a água escorrendo por aquele plano à esquerda para depois chegar à base daquela fonte; à direita, o mesmo pequeno jardim japonês. Seguindo a caminhar por aqueles ladrilhos que formavam, em meio ao caminho de formato levemente serpeante, pequenos círculos de cor escura, concentrei-me naquela ponte, razoavelmente larga, com guarda-corpos metálicos, pintados de cinza, agora levemente descascados. Abaixo dela, aquele pequeno canal em forma de trapézio, com menos de um palmo de água escoando lentamente.

Passo a passo, em poucos segundos estava encostado naquele guarda-corpo. Por alguns instantes, tinha meus pensamentos em tudo o que fizera e ouvira logo antes de pegar aquele café. Eis que, a oeste, o sol já estava abaixando; cinco horas da tarde. A essa hora, não era difícil olhar diretamente para ele. Estava em meio a duas grandes árvores de flores lilases, e os pequenos galhos faziam a luz da imensa estrela amarela ficar descontínua; uns raios mais teimosos faziam brilhar as folhas das árvores ao redor de todo aquele lugar, tendo aquele pequeno rio nada especial ao centro, embaixo da ponte onde estava.

E diante de toda esta cena, de toda sua beleza, a primeira coisa que me vem à cabeça é a vontade de você poder estar comigo e ver aquilo também. Não porque esperasse de você a mesma admiração, mas por aquele momento pra mim ter sido bom, quão bom são os momentos contigo. Certamente, demorei alguns minutos pra compreender isto…

De fato, não sei explicar o quanto gosto de você. Tampouco sei dizer porque gosto. Pra mim, não tem explicação. Deve ser incosciente. E é justo que seja, como todas as emoções devem ser, pois é exatamente a surpresa que torna essas emoções importantes e verdadeiras. Pode até existir algum padrão nas emoções, mas se existem, estão aonde não sei se quero chegar e perder a surpresa.

Podem existir muitas garotas bonitas, mas é você quem vejo quando fecho os olhos. Posso conversar por horas com qualquer uma delas, mas em minha mente sua voz estará presente. Pode acontecer qualquer coisa boba em qualquer dia comum, mas se você estiver, a coisa boba torna-se importante, e o dia, especial. Só por ser você.

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Passos.

Ainda que os dias passem, sinto não saber caminhar. Como uma criança, vacilante e sem muito equilíbrio, segurando os braços da mãe, vejo-me cair a cada passo que tento avançar.

Ao novo dia, velhas angústias. Todas as palavras ditas tornando-se motivo de tristeza, por não tê-las dita como deveria ser. O lindo novo dia a nascer torna-se a lembrança de ter perdido o dia anterior.

Tácito, silente, sinto sozinho algo que quero compartilhar contigo. Mas sequer tenho as palavras para dizer-te isto…