Ponte.

Os olhos enganam. Sempre enganam: ora por julgar, outrora por ver o que não havia enquanto não vê o que de fato há. A lição é sempre a mesma: os olhos são pintores a enxergar sobre a tela o desenho por eles próprios construído na mente.

A olhar-te, era notável beleza. Mas a pensar-te, meus olhos viam distância, talvez um abismo intransponível. Então, notei que era somente uma pintura no chão, no exato momento em que escorreguei pela borda do precipício que eu mesmo pintei. Era possível atravessá-lo, era só desenhar uma ponte.

Agora, a ponte está desenhada e estou sobre ela. Preciso seguir, mas peço que não se afaste.

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